sábado, 6 de abril de 2013

Justiça brasileira: pesos e medidas

A balança da "justiça" brasileira é mesmo viciada. Ela usa, indisfarçada e acintosamente, pesos e medidas completamente distintos conforme a situação e os envolvidos.

Senão, vejamos:

O motorista do micro-ônibus que caiu de um viaduto sobre a Av. Brasil, no Rio de Janeiro, que estava trabalhando, acumulando funções (de motorista e cobrador) para aumentar os lucros dos empresários do transporte público - e que foi agredido, conforme testemunhos já prestados, por um estudante universitário, o que certamente provocou o acidente, mesmo que estivesse em alta velocidade - foi preso e teve seu pedido de "habeas corpus" negado.

Enquanto isso, o jovem que vinha de uma farra, estava bêbado e, por isso, atropelou um ciclista em sua ciclofaixa, na Avenida Paulista, arrancou-lhe o braço, não lhe prestou socorro, fugiu do local e, ainda por cima, jogou fora o braço do jovem, impossibilitando, com sua atitude criminosa, a oportunidade de reimplante, está solto e aguardará o julgamento em liberdade.

Assim como Thor, filho do milionário Eike Batista, que igualmente atropelou um ciclista, numa rodovia na baixada fluminense.

Mas isso não é surpresa alguma, pois em outras tantas questões e ações é esse o habitual procedimento da "justiça" brasileira.

Afinal, na AP 470, o MENTIRÃO, vários dos réus, que não tinham prerrogativa de foro, tiveram negado seu direito de recurso a uma segunda instância, porque tratava-se de juntar todos em uma única ação para dar robustez à farsa que foi o julgamento e facilitar suas condenações.

Já no caso do Mensalão Tucano - que ocorreu cinco anos antes e que ainda não tem data marcada para ser julgado - os processos foram desmembrados e a maior parte dos envolvidos, caso cheguem a ser julgados,  sê-lo-ão na primeira instância.

Recentemente, no julgamento do assassinato do casal de ativistas ambientais no Pará, os executores (os "operários" do crime) foram condenados, enquanto o mandante (o "capitalista" do crime) foi absolvido.

Isso só reforça o que o povo já está cansado de saber: com o Poder Judiciário que temos, a lei pode até ser igual para todos, mas, de forma alguma, somos todos iguais perante a lei. Parafraseando George Orwel em "A revolução dos bichos", alguns são, sem sombra de dúvidas, mais iguais que outros.

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